Você não pode perder essa matéria tão cheia de valor profissional e pessoal. É isso que o esporte representa.
1. Qual foi o momento mais desafiador da temporada e como vocês conseguiram virar o jogo — dentro e fora das quadras?
Adriano:. A gente tem dois meses e pouco de treino, então eu peguei um grupo bastante heterogêneo, com atletas que vinham de diversas formações, inclusive gente que batia pelada, que jogava na quadra, mas que tinha uma vontade muito grande. O maior desafio foi fazê-los entender a minha metodologia, a minha filosofia de trabalho, mas um facilitador foi que, eles são extremamente comprometidos, houve muita dificuldade no começo principalmente que a gente tem um prazo muito curto, mas o grupo muito afim, então essa compreensão no começo foi um sofrimento muito grande de olhar para o rosto deles e ver que eles tinham muitas dúvidas que eles às vezes faziam coisas que eles não estavam acostumados a fazer mas que eles tentavam fazer, foi muito bom, ainda estamos nessa transição acho que o grupo evoluiu bastante mas acho que é um desafio muito grande a gente inclusive teve, esse time que a gente fez a final nós jogamos na decisão de chave com eles e foi um jogo bem fraco, a gente ganhou muito apertado porque alguns, principalmente no aspecto defensivo a gente deixou muito a desejar Mas a gente vê uma evolução muito grande já.
1. Na sua visão, qual é a principal diferença entre um time bom e um time campeão?
Adriano: Eu acho que basicamente, a diferença de um time bom para uma equipe campeã, você pode ter um time muito bom tecnicamente, com bons atletas, com grandes atletas e não ser necessariamente campeão. Porque eu acho que para ser campeão você precisa ter uma equipe. Às vezes não necessariamente você vai ter uma equipe com muito talento, um grupo com muito talento, mas você vai ter uma equipe muito forte, coesa e que aplica corretamente os fundamentos técnicos e táticos. Quando você tem um grupo com muito talento que não pensa juntos, que não pensa no objetivo, que não trabalha um para o outro, tudo se torna mais difícil. Eu acho que isso foi um facilitador para a gente também, porque é um grupo muito bom, esse grupo da gente é um grupo muito talentoso, mas eles começaram a entender que eles tinham que jogar em equipe. Então, o jogo da final, neste último final de semana, a melhoria defensiva já foi muito grande e a gente ganhou o jogo exatamente porque eles compreenderam que a entrega um pelo outro era muito importante para formar uma equipe campeã. E aí o resultado foi o que aconteceu.
2. Como a alimentação e o acompanhamento nutricional influenciaram no desempenho dos atletas durante a temporada?
Adriano: Hoje, os diretores do basquete do Auto Esporte são muito sérios e muito comprometidos. E tem sido maravilhoso trabalhar com eles, tem sido uma experiência diferente. Porque eu sinto um suporte muito grande que eu não tive em outros clubes. Talvez eu tenha tido isso em seleções. Mas em outros clubes em que eu trabalhei, não. Eles estão sempre presentes e dão um suporte muito grande. Hoje a gente tem médico, tem fisioterapeuta, mas ainda não temos um departamento de nutrição do jeito que eu imagino que deva ser. Mas eu acho que esse é um passo à frente. Quando eu trabalhei em seleções aqui na Paraíba, a gente deixou de ser uma das últimas seleções do país para ser uma das quatro primeiras. E tudo passou totalmente pelo staff que eu tinha, com uma nutricionista extremamente competente. Que deixou meu time do jeito que eu queria, com um preparador físico muito bom, um fisiologista muito bom. E eu pude me preocupar só com a parte técnica e tática da equipe. O Auto Esporte, eles estão me dando todas as condições que eu preciso e esse é um passo que a gente vai dar à frente. É trabalhar com a nutrição. Eu acho que não tem resultado. Não adianta a gente treinar muito bem fisicamente se a gente não alinhar com a nutrição. Então é um passo que a gente vai com certeza dar logo, logo.
3. Teve algum ritual, hábito ou estratégia fora do comum que vocês usaram e acredita que fez a diferença para o título?
Adriano: Bom, o nosso ritual é um ritual que eu trago desde a escola. Não que isso faça a diferença. Eu nunca pedi para vencer o jogo. Eu peço muita proteção. Nosso ritual é que sempre depois de cada atividade nós fazemos a nossa oração, agradecemos por estar ali, agradecemos por estar todo mundo bem, por ninguém ter se machucado. Então isso é um ritual que nós temos principalmente de agradecer a Deus. Fora isso, nosso ritual é treino. Então nós trabalhamos na véspera dos jogos pensando nos adversários que a gente vai ter. E aí para essa final foi muito pensado, apesar de a gente ter poucos dias para treinamento, mas o jogo foi passado para os atletas com todas as dificuldades de um time adulto que trabalha, que estuda, que tem família, dentro do que pode ser feito. Mas a gente tem sempre o hábito de trabalhar nos treinos o próximo jogo. E é muito bom que eles compreendam o que a gente propõe e comprem a nossa ideia.
4. O que esse título representa para você, para o time e para o basquete da Paraíba?
Adriano: Eu acho que esse título do Auto Esporte representa muito para muita gente. O próprio clube, a gente sabe que o Auto Esporte tem dificuldades financeiras no futebol, mas a gente está aí com o basquete crescendo. O Auto Esporte deu uma liberdade muito grande para o grupo do basquete, para correr atrás de patrocínios, para qualificar a nossa equipe. Então, tem sido muito importante porque hoje a gente já tem atletas que buscam, nos procuram para se juntar a nós. Para o basquete da Paraíba também é muito importante porque é um clube de representatividade, com torcida, é um clube histórico, é um clube que é muito querido. Então, trazer o Auto esporte para o basquete e conquistar títulos, eu acho que traz para a gente uma notoriedade muito grande e traz a torcida do Auto esporte. Eu acho que dá essa alegria para o torcedor do Auto Esporte. Eu posso falar porque meu avô jogou pelo AutoSport, meu pai sempre foi torcedor do Auto Esporte, esse título foi muito especial por ele, dediquei isso a ele também. Então, é muito importante para o basquete da Paraíba. Eu acho que o basquete da Paraíba está carente de trabalhos como esse do Auto Esporte, está carente de iniciativas como essa. E eu acho que vai agregar. A gente tem uma referência muito grande que é a Unifacisa. Eu não sei se um dia a gente vai chegar num nível de jogar uma Liga Ouro, de jogar uma NBB. Não sei, isso aí fica entregue a Deus, é quem vai dizer. Mas acho que a gente está plantando uma semente muito legal para quem sabe. Quem sabe se não apareça outro grupo como a Unifacisa que aposte e que a gente de repente esteja aí com mais representantes jogando pela Paraíba nos campeonatos do Brasil.