Nos bastidores da Secretaria de Estado da Saúde, a avaliação é de que o secretário Ari Reis foi mantido no cargo, mas perdeu o comando efetivo da pasta após as mudanças promovidas pelo governador Lucas Ribeiro no alto escalão da estrutura administrativa.
A permanência de Ari no posto, segundo fontes da política paraibana, passou a ser vista como meramente formal. Na prática, quem estaria conduzindo os principais movimentos internos da secretaria seria o chefe de gabinete, Márcio Sarmento Cavalcanti, nome da estrita confiança do governador Lucas Ribeiro e do deputado federal Aguinaldo Ribeiro.
A nomeação de Márcio Sarmento para a chefia de gabinete da Secretaria de Saúde foi publicada dentro do pacote de mudanças feito pelo Governo do Estado após Lucas Ribeiro assumir o comando da Paraíba. Também houve alterações em cargos estratégicos da pasta, incluindo a saída de Palloma Thalita Costa Lopes de Carvalho da chefia de gabinete e a nomeação de Talia Alexandrina Guedes Cândido Sales para a Secretaria Executiva de Gestão da Rede de Unidades de Saúde.
O ponto que mais chama atenção, porém, é o controle administrativo da secretaria. Ari Reis, mesmo ocupando oficialmente o cargo de secretário de Saúde, não teria sequer acesso à senha do PBDOC, sistema utilizado pelo Governo da Paraíba para tramitação interna de documentos, processos, despachos e atos administrativos. A senha, segundo informações de bastidores, estaria sob controle do chefe de gabinete.
Na prática, isso significaria que o secretário permanece com o título, mas sem domínio pleno sobre o fluxo burocrático da própria pasta. É daí que surge, entre aliados e observadores da cena política, a comparação de Ari Reis com uma “rainha da Inglaterra”: ocupa o cargo, mantém a representação institucional, mas não exerce o poder real sobre a máquina administrativa.
A situação expõe um esvaziamento político dentro de uma das áreas mais sensíveis do governo. A Saúde é uma pasta estratégica, com grande volume de recursos, contratos, unidades hospitalares, regulação e forte impacto na relação do governo com prefeitos, deputados e lideranças regionais.
Com a nova configuração, o comando operacional da secretaria teria migrado para auxiliares diretamente ligados ao núcleo político do governador Lucas Ribeiro. Ari Reis, por sua vez, passou a conviver com a dúvida sobre até quando aceitará permanecer em uma função em que, apesar do status de secretário, já não teria controle efetivo das decisões internas.
A permanência de Ari no cargo, portanto, não encerra a crise. Pelo contrário: reforça a leitura de que o secretário foi preservado na vitrine, mas afastado do centro de comando da Secretaria de Estado da Saúde.