O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve finalizar, até a próxima quinta-feira (29), o julgamento da ação do PDT que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível, o que impede o líder conservador de se candidatar novamente à Presidência da República em 2026. Apesar dos argumentos apresentados pela defesa, é quase certo que a Corte condenará Bolsonaro.
Apesar do destino “quase certo”, Bolsonaro não pretende sair do jogo político, atuando para tentar recuperar os direitos políticos, na esfera judicial, e ao mesmo tempo lutando para manter intacto o patrimônio eleitoral de mais de 58 milhões de votos obtidos nas urnas em 2022. Poderá ser, inclusive, o maior cabo eleitoral das próximas eleições presidenciais.

Com a condenação do ex-presidente, no entanto, a despeito das conjecturas sobre seu futuro político, o que haverá de concreto é a busca do campo da direita por novos nomes para a disputa eleitoral de 2026. Uma coisa é certa: esse espectro político dispõe de muitos nomes, alguns em ascensão, na Câmara e no Senado, enquanto outros já bem solidificados perante o eleitorado.

Confira, a seguir, os nomes que podem “suceder” Bolsonaro e os eventuais impactos na Paraíba.

presidenciais de 2026. Apesar de divergências pontuais com Bolsonaro, o político apoiou o ex-presidente nas eleições do ano passado e é um conhecido opositor do Partido dos Trabalhadores (PT). Recentemente, participou da CPI do MST, na Câmara dos Deputados, onde tratou como criminosos invasores de terras ligados ao movimento. Em convenção do partido em abril, ao ser questionado por aliados, disse que “se a oportunidade for dada, vocês sabem que o Ronaldo Caiado não dispensa”, ao enfatizar que o processo será aquele que “Deus quiser”. Na Paraíba, eventualmente, poderia ter o apoio do senador Efraim Filho (União), cotado para disputar o Governo do Estado e que, assim como Caiado, é um defensor do setor produtivo.

Eduardo Leite (PSDB): O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também é visto como uma liderança opcional da direita, mas já teria dificuldades em eventualmente representar Bolsonaro ou ter o apoio dos eleitores do ex-presidente. Isso porque, apesar de estar no espectro político da centro-direita, tem profundas divergências com o campo conservador da política. Além disso, há feridas de 2022 que ainda não “sararam” para a opinião conservadora, muito embora nada disso possa impedir eventual apoio do governador a uma aliança com Tarcísio ou Zema. Na Paraíba, Leite teria o apoio de Pedro Cunha Lima, presidente estadual do PSDB e que é cotado para disputar novamente o Governo do Estado em 2026.
Levando em conta os nomes citados, a primeira conclusão que se tem é que a direita dispõe de bons quadros para a disputa presidencial, diferentemente da esquerda, que excluindo o presidente Lula (PT), carece de lideranças emergentes com tamanho potencial de votos. O ministro da economia, Fernando Haddad, e o deputado federal Guilherme Boulos, já são figuras carimbadas.

A direita, além dos nomes já citados, tem um personagem em ascensão: o deputado federal mais votado do país, o mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG), que lidera uma “tropa” jovem da direita no Congresso Nacional. A despeito de tudo isso, no quadro local, qualquer nome que vier a suceder Bolsonaro terá que alinhar-se com nomes do bolsonarismo paraibano, a saber: os deputados federal Cabo Gilberto (PL), estadual Wallber Virgolino (PL), além de Nilvan Ferreira e Marcelo Queiroga (PL), cotados para disputar a Prefeitura de João Pessoa em 2024.