Até duas semanas atrás, o Hezbollah era considerado a milícia mais poderosa do planeta. Em ações militares e de inteligência de um sucesso sem paralelo na história moderna do Oriente Médio, Israel conseguiu decapitar o comando do grupo em poucos dias. Mais impressionante,matou Hassan Nasrallah, comandante histórico da organização há mais de três décadas e “insubstituível”. Carismático, o líder da milícia xiita libanesa apoiada pelo Irã era visto como um gênio por seus seguidores e adversários. Sua morte pode ter mais impacto político do que as de Saddam Hussein, Osama bin Laden e Qassem Suleimani.

Toda a estrutura geopolítica da região foi pulverizada no bombardeio de Israel ao quartel-general do Hezbollah em Dahieh, no subúrbio de Beirute, uma região tão densamente povoada quanto Copacabana. Todos os cenários são possíveis neste momento,incluindo uma guerra de proporções gigantescas, envolvendo Irã e Israel e talvez sugando até mesmo os EUA. Os próximos dias serão determinantes e tudo dependerá de decisões imprevisíveis de Benjamin Netanyahu e do aiatolá Ali Khamanei. Os líderes israelense e iraniano estão calculando os próximos passos diante da nova equação de poder, mais favorável a Israel.