Garantir a segurança dos alimentos nunca foi tão desafiador como nos dias de hoje. Em um cenário de mudanças climáticas, globalização da cadeia produtiva e aumento do consumo de alimentos prontos, os riscos de contaminações e doenças transmitidas por alimentos (DTAs) crescem consideravelmente.
1. Complexidade na cadeia alimentar
Com ingredientes vindos de diversas partes do mundo, há maior dificuldade em controlar todas as etapas desde a produção até o consumo. Isso exige rastreabilidade, controle rigoroso e maior vigilância sanitária.
2. Falta de capacitação dos manipuladores
Muitos estabelecimentos ainda negligenciam o treinamento contínuo dos manipuladores de alimentos, o que compromete práticas básicas como higienização adequada, controle de temperaturas e prevenção da contaminação cruzada.
3. A falsa sensação de segurança
A tecnologia e a aparência dos alimentos muitas vezes mascaram perigos invisíveis. Um alimento pode estar com boa aparência, mas conter microrganismos patogênicos, toxinas ou substâncias químicas indesejadas.
4. Mudanças no comportamento do consumidor
O aumento do delivery, o consumo de alimentos ultraprocessados e a busca por alimentos naturais, mas sem o devido cuidado na manipulação, trazem novos riscos à segurança alimentar.
5. Clima e sustentabilidade
Eventos climáticos extremos impactam a produção agrícola, afetando a qualidade da matéria-prima e favorecendo o crescimento de fungos e bactérias que liberam toxinas perigosas, como as micotoxinas.
Conclusão
A segurança dos alimentos é um tema de saúde pública. Envolve responsabilidade ética, compromisso técnico e atualização constante. Superar esses desafios exige educação alimentar, capacitação profissional, rigor nas boas práticas de fabricação e vigilância ativa.
Investir na segurança dos alimentos é investir na saúde da população.
Fonte: Alline Grisi especialista em Vigilância Sanitária, perita em alimentos, certificada iso 9001 e 22000 e Diretora de Segurança Alimentar do Município de João Pessoa