O São João é uma das maiores manifestações culturais do Brasil. Barracas de comidas típicas, quermesses, festivais e grandes eventos reúnem milhares de pessoas em torno de sabores tradicionais como pamonha, canjica, milho cozido, espetinhos, bolos, caldos e carnes assadas. Mas, em meio à alegria da festa, um detalhe faz toda a diferença: a segurança dos alimentos.

Em eventos de grande porte, onde há intensa produção e manipulação de alimentos, qualquer falha nos cuidados higiênico-sanitários pode favorecer a ocorrência de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), causando sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais e febre.

O que observar antes de comprar um alimento?

O consumidor também tem um papel importante na prevenção. Antes de escolher onde comer, vale a pena prestar atenção em alguns detalhes:

🌽 O local está limpo e organizado?

🌽 O manipulador utiliza touca e roupas adequadas?

🌽 Os alimentos quentes estão realmente quentes e os refrigerados permanecem sob refrigeração?

🌽 Os utensílios parecem limpos e protegidos contra poeira e insetos?

🌽 Há separação entre alimentos crus e prontos para consumo?

Esses pequenos cuidados ajudam a identificar estabelecimentos que valorizam a qualidade e a saúde dos consumidores.

Os maiores riscos nas festas em massa

Nas grandes celebrações juninas, alguns fatores aumentam o risco de contaminação:

Exposição prolongada dos alimentos em temperatura ambiente;

Manipulação simultânea de dinheiro e alimentos;

Falta de higienização das mãos e utensílios;

Contaminação cruzada entre alimentos crus e cozidos;

Uso de água ou gelo sem procedência conhecida.

Preparações à base de leite, ovos, carnes e molhos merecem atenção especial, pois são altamente perecíveis e exigem controle rigoroso de temperatura.

O compromisso dos manipuladores

Para quem trabalha nas barracas e cozinhas das festas, seguir as Boas Práticas de Manipulação é um compromisso com a saúde pública. Entre as principais recomendações estão:

Lavar as mãos frequentemente e sempre que trocar de atividade;

Não usar adornos, como anéis, pulseiras e relógios;

Utilizar touca e uniforme limpo;

Manter alimentos protegidos contra poeira, insetos e contato do público;

Armazenar matérias-primas e produtos prontos em temperaturas seguras;

Higienizar equipamentos e superfícies durante todo o evento.

Segurança dos alimentos também faz parte da tradição

As comidas típicas são a alma do São João e carregam histórias, afetos e tradições que atravessam gerações. Garantir que esses alimentos sejam produzidos e comercializados de forma segura é preservar não apenas a cultura, mas também a saúde e o bem-estar de todos.

Afinal, uma festa inesquecível é aquela que deixa boas lembranças e nunca uma intoxicação alimentar.

 

Alline Grisi
Perita em Alimentos e Especialista em Lei Sanitária