Neste Dia do Trabalho, profissionais e familiares compartilham vivências, ao tempo em que especialista em leis trabalhistas explica quais são os direitos da categoria.

Vou trabalhar só até esse final de semana” é a frase que ficou guardada na memória do motorista de aplicativo, Jailson Sousa, de 58 anos, pai do motoboy Kelton Marques, vítima de um grave acidente em João Pessoa.

Poucas horas antes de morrer, o entregador disse ao pai que deixaria a função que era exercida para complementar a renda da família. Ao telefone, fazia planos para abrir um pet shop e, assim, deixar de correr riscos nas ruas que percorria sobre duas rodas.

Depois de concluir as entregas do dia, enquanto voltava para casa ainda na madrugada, o paraibano foi atingido por um carro conduzido por um motorista embriagado e que dirigia em alta velocidade, a 163 km/h. Quando uma equipe do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) chegou ao local, ele já estava sem vida.

Kelton partiu cedo, mas deixou um legado de sonhos, determinação e trabalho duro.

“Kelton era um sonhador, minha filha. Ele assinou a carteira dele pela primeira vez com 14 anos de idade, como menor aprendiz até ficar de maior. Passou mais de três anos em outra empresa”, contou Jailson, suspirando, tomado pela emoção de lembrar do que planos do filho para a vida que parecia ser um longo caminho pela frente.

 

Conforme o pai, o esforço de Kelton tinha um propósito: proporcionar o melhor para as filhas dele. Quando ele se foi, as meninas ficaram com 10 e 2 anos. Atualmente, elas têm 11 e 3 anos de idade.